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Estudantes colocam dados em risco ao burlar filtros de segurança da internet nas escolas

Criado: Terça, 21 de Maio de 2019, 11h47 | Publicado: Terça, 21 de Maio de 2019, 11h47 | Última atualização em Terça, 21 de Maio de 2019, 11h47 | Acessos: 105

Com o uso crescente da internet entre crianças e adolescentes, aumenta também a preocupação de educadores e pais em controlar, ou ao menos saber, o que eles fazem na rede. Para alguns, a solução parece simples: basta adicionar softwares e filtros para o bloqueio de conteúdo impróprio. No entanto, o acesso por meio de VPN (sigla em inglês para Rede Privada Virtual) tem se popularizado entre essa faixa etária como uma estratégia para navegar sem ser rastreado e burlar as restrições de segurança configuradas por escolas e famílias.

Assim como já diz a própria sigla, VPN é uma rede privada construída sobre a infraestrutura de uma rede pública. Em outras palavras, ela pode conectar um computador a um servidor intermediário que faz a ponte entre o usuário e a internet. Quando utilizada de forma segura, ela cria uma espécie de túnel criptografado para garantir que apenas usuários autorizados tenham acesso aos dados transferidos. Cada vez mais empresas têm recorrido a esse recurso para permitir que funcionários acessem dados e aplicações sigilosas fora do local de trabalho. “Uma VPN segura garante que nenhum dado será interceptado enquanto estiver passando pela rede pública, oferecendo segurança e privacidade”, explica Miriam von Zuben, analista de segurança do CERT.br.

Por outro lado, apesar da VPN não ser uma novidade entre corporações e profissionais de tecnologia, sua aplicação se popularizou nos últimos anos entre o público geral como uma alternativa para navegar de forma anônima ou burlar bloqueios de região. Um chinês, por exemplo, poderia usá-la para acessar o Facebook no país, onde a rede social é bloqueada por questões políticas. No Brasil, a VPN também já serviu como estratégia para manter o WhatsApp em funcionamento no período em que ele foi bloqueado por determinação judicial. Para esse uso, no entanto, muitas vezes os usuários recorrem a redes gratuitas, que nem sempre garante a segurança dos seus dados.

“Ao usar VPNs, principalmente as gratuitas, é importante que o usuário saiba que, apesar de existirem VPNs seguras, há também aquelas que podem comprometer a privacidade”, alerta a analista de segurança do CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil). Ela menciona que, em alguns casos, as redes privadas gratuitas comercializam os dados de tráfego de seus usuários, permitem que o conteúdo em trânsito seja interceptado e, quando instaladas em dispositivos móveis, solicitam permissões extras para acessar informações sensíveis armazenadas nos equipamentos.

Sem saber saber dos riscos envolvidos no uso de VPNs não confiáveis, estudantes acabam navegando por redes gratuitas como alternativa para acessar sites bloqueados pelo filtro de segurança das escola ou dos pais. Na Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo, a coordenadora de tecnologia educacional e inovação Juliana Ragusa conta que foi preciso investir em estratégias de conscientização ao notar esse comportamento entre os adolescentes. “Eles baixam essas VPNs para não usar restrições de internet pelo celular ou pela rede da escola, que tem uso moderado. Quando eles burlam isso, conseguem navegar em qualquer conteúdo que eles querem, mas têm todas suas restrições de segurança abertas para pessoas mal intencionadas”, diz.

Além de promover o diálogo com os estudantes e apresentar casos reais sobre o risco de navegar por meio de uma VPN não confiável, Juliana conta que a escola também está investindo na conscientização dos pais. “Temos uma ferramenta de comunicação com eles e sempre mandamos orientações, palestras e materiais sobre uso seguro da internet.”

No ensino médio, adolescentes também estão produzindo jogos sobre educação digital para ajudar na conscientização dos colegas do ensino fundamental. “Tivemos que rever todas as regras de uso da internet para conversar com os alunos até onde eles podem ir e por quê. O que não pode acontecer é criar uma cultura de terror. Não é punição, mas é orientação e conscientização. Envolve um trabalho intenso de diálogo em sala de aula”, relata a coordenadora de tecnologia educacional e inovação.

Para Estevam Arantes, estudante de Engenharia de Computação que coordena o grupo de extensão Ganesh, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP (Universidade de São Paulo), relacionado à segurança digital, a melhor forma de conscientizar os alunos sobre uso seguro da internet é deixar claro, por meio de exemplos reais, que ao acessar a internet por meio de uma VPN eles estão oferecendo controle dos seus dados a alguém. “O mais importante é explicar para eles que os dados deles estão passando por alguém. Imagina que você está proibido de falar com uma pessoa, mas você pode mandar um recado para um terceiro. Quando você faz isso, você precisa ter a consciência de que os dados não são mais controlados por você”, exemplifica, ao citar que jogos e recursos educativos também são ótimas ferramentas para aproximar a discussão da linguagem dos jovens.

“Segurança na internet é um assunto que demorou muito tempo para ser discutido. São poucos educadores que têm levado esse tipo de informação para dentro das escolas”, ressalta Kalinka Castelo Branco, professora do ICMC e responsável pela orientação do grupo de pesquisa da USP. “Os alunos não entendem o conceito por trás, mas sabem que se eles se conectarem a uma VPN vão desbloquear as regras de segurança. Isso ainda parece coisa de filme para os educadores, eles acreditam que não vai acontecer com eles.”

Em um cenário em que os alunos têm contato com equipamentos eletrônicos desde cedo e acabam desenvolvendo habilidades no uso dessas ferramentas, que muitas vezes ainda são desconhecidas pelos educadores, a internet também pode ser um caminho para professores participarem de formações e se manterem atualizados. O NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), por exemplo, disponibiliza materiais gratuitos com informações sobre uso seguro, consciente e responsável na Internet, além de oferecer um curso capacitação sobre o assunto.

“Os educadores e pais têm hoje o papel fundamental de alertar crianças e adolescentes sobre esses riscos e perigos”, destaca Kelli Angelini, gerente da Assessoria Jurídica do NIC.br. “A melhor maneira de fazer com que crianças e adolescentes utilizem a internet de forma segura e com responsabilidade é mantendo o diálogo com elas e abordando frequentemente assuntos ligados as funcionalidades da internet e suas consequências”, conclui.

 

Texto: Marina Lopes. Publicado originalmente no Portal Porvir, em 14 de maio de 2019.

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