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Entrevista com Paula Furtado, da Escola Mupi

Criado: Terça, 23 de Janeiro de 2018, 14h28 | Publicado: Terça, 23 de Janeiro de 2018, 14h28 | Última atualização em Quarta, 24 de Janeiro de 2018, 09h34 | Acessos: 448

Graduada em Letras e mestra em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, Paula Furtado tem se especializado na área de novos letramentos, tecnologias e educação e novas formas de aprendizagem. Co-fundadora da Escola Mupi, ambiente online para formação continuada de docentes para o uso de tecnologias em sala de aula, a professora é crítica quanto ao termo globalização e acredita que a EaD possa ser uma solução para reduzir desigualdades. “Acredito sim que o EaD tem grande potencial para diminuir as diferenças de oportunidades e que pode auxiliar no desenvolvimento do indivíduo como cidadão consciente e crítico capaz de saber atuar nas diferentes camadas sociais”.

Veja, a seguir, o bate-papo que nossa equipe teve com Paula Furtado.

 

CTEAD - Como você se envolveu profissionalmente com a EaD?

PAULA FURTADO - Profissionalmente, em 2008, comecei a atuar em EaD no Instituto de Pesquisas Eldorado. Eu já era colaboradora do Eldorado de áreas técnicas, desde 2005, e em 2008 fui para o Departamento de Educação com o desafio de atuar em uma solução de ensino online síncrono e assíncrono para um projeto do Instituto com parceria da IBM.

 

CTEAD - E a Escola Mupi? Como surgiu e como vocês trabalham atualmente? 

P.F. - A Mupi surgiu em 2015, com o desejo de impactar positivamente a educação brasileira. Eu estava dando aulas na época para o Ensino Básico e convivendo intensamente na escola e com professores. Vivi na pele como a cultura escolar estava longe do que chamamos de Educação do Século XXI, distante do que eu pesquisava pela universidade em minha dissertação de mestrado e distante da realidade das pessoas que trabalham com tecnologia.  Eu tinha um grupo de trabalho anterior com amigos da universidade, da computação e da midialogia, em que buscávamos aprender sobre como empreender. Então nos juntamos e disponibilizamos o primeiro curso online pela Mupi, o Tecnologia para Sala de Aula, e depois não parei mais com o portal que hoje se chama TecSaladeAula.

 

CTEAD - Quais suas perspectivas acerca da educação e as inovações tecnológicas?

P.F. - As minhas perspectivas são otimistas, acredito que os potenciais tecnológicos podem viabilizar novas formas e caminhos para educação de maneira a incluir mais pessoas nesse processo. Mesmo ainda havendo uma lacuna considerável entre escola, universidade e mercado de trabalho, conheço muitas iniciativas que estão trabalhando para diminuir isso.

 

CTEAD - Você falou que não gosta do termo "globalização", pois, em suma, traz uma falsa ideia de igualdade. Você acredita que a EaD pode ser um caminho para diminuir as diferenças de oportunidades?

P.F. - Não é uma questão de não gostar, é de ter ressalvas por ser um termo de complexa profundidade mas que hoje vemos usado em vários contextos de maneira simplista e geralmente excludente (como sugestão para quem quiser estudar, indico as reflexões trazidas pelo professor Boaventura de Sousa Santos que explora o processo hegemônico e contra-hegemônico dentro do fenômeno da globalização). Acredito sim que o EaD tem grande potencial para diminuir as diferenças de oportunidades e que pode auxiliar no desenvolvimento do indivíduo como cidadão consciente e crítico capaz de saber atuar nas diferentes camadas sociais.

 

CTEAD - Você comentou sobre a pesquisadora Solange Rezende, que defende que vivemos numa sociedade da informação e estamos caminhando para uma sociedade do conhecimento. Fale um pouco mais sobre isso? Com tanta informação nas mãos, você acredita que os jovens estão ficando acomodados para aprender?

P.F. - Eu citei a professora Solange Rezende, da Universidade de São Paulo, que tem trazido muitas contribuições com suas pesquisas para compreendermos esse momento que estamos vivendo em que as tecnologias estão cada vez mais presentes em nossas práticas sociais. Estamos todos sendo atropelados por uma quantidade imensa de informações e estímulos e os jovens que têm acesso a isso parecem estar “surfando” tranquilamente. Esse para mim é o ponto: não acredito que eles estejam de fato surfando, pois domínio ferramental e habilidades técnicas não garantem que esses jovens saibam se situar e ter posicionamento crítico diante das realidades virtuais que fazem parte de nossas vidas, como por exemplo, saber quais dados pessoais seus estão sendo usados por campanhas políticas que são movimentadas através das tecnologias de redes sociais.

 

CTEAD - E o professor? Quais os desafios do educador para o ensino?

P.F. - Os desafios dos professores são muito grandes, pois compreender esse novos cenários sociais e buscar formas de como fazer parte dele não é nada trivial. Além disso, quando consideramos que o professor tem a responsabilidade de formar jovens considerando a tal sociedade globalizada, a coisa vira uma bola de neve. O caminho que encontrei para isso é a necessidade cada vez mais gritante de formação continuada e também o acolhimento desses professores no sentido de demonstrar que estamos todos juntos, no mesmo barco, aprendendo novas formas de trabalhar e de viver.

 

CTEAD - O que são MOOCs e como você avalia o papel deles para a formação profissional hoje em dia? Ou eles devem ser indicados independentemente disso?

P.F. - MOOCs (Massive Online Open Courses) é uma abordagem de curso que surgiu baseada nos pressupostos do Movimento da Educação Aberta e que hoje já passou por diversas apropriações de usos e formas. Atribuo grande valor aos MOOCs tanto pelo fato da abordagem se propor a alcançar mais pessoas em processo educativos (pessoas muitas vezes que não teriam acesso à educação de qualidade), quanto pelo fato de, justamente por ser tão escalável, ter feito com que pesquisadores e educadores de renomadas instituições de ensino do mundo inteiro busquem caminhos para explorar metodologias e novas formas de ensinar considerando a ampliação do acesso à educação.

 

CTEAD - O que se deve levar em conta para a elaboração de um curso MOOC? 

P.F. - Olha, são muitos os pontos e de difícil formatação, assim como qualquer elaboração para fins educacionais. Mas eu diria que há os pressupostos básicos de um curso (como na modalidade presencial) acrescidos de escolha de plataforma e o planejamento de materiais e ferramentas que considere um público escalável e não hegemônico e que potencialize o uso de metodologias ativas, com os objetivos de aprendizagem centrados no aluno.

 

CTEAD - Você esteve em Belém em setembro para o I Encontro de Educação a Distância do IFPA. Como você avalia a experiência do que teve no evento?

P.F. - Fiquei muito honrada com o convite para a Mupi de ministrar os workshops em um encontro tão especial e fundamental. A região norte possui questões de deslocamento geográfico que impossibilitam muitas vezes grande parte da população da região de ter acesso aos estudos e, neste contexto, o EaD é um caminho que viabiliza essa ponte. Fiquei comovida ao ver o IFPA se reunir com outros Institutos da região para buscar formas de ampliar esse acesso à educação de maneira institucional e com qualidade.

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